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terça-feira, 8 de março de 2011

Jesus e as mulheres

 

Embora sejamos viajores da eternidade Kardec assevera que:

“O Homem deve viver em seu tempo”, aproveitando a presente reencarnação, realizando mudanças que a partir de si mesmo repercutam ao seu derredor favorecendo transformações,que neste plano de vida são necessárias.

Não estagnar ou interpretar a inércia como felicidade, fazem parte das Leis doTrabalho e Evolução do homem aqui no Planeta Terra.




Muitas vezes me pego analisando o tempo por mim vivido, me lembrando de fatos tão importantes da Historia neste século 20.

Lembro-me perfeitamente das angustias que causavam as noticias dos armamentos atômicos e nucleares,ou seja da Guerra nas Estrelas.

Acreditávamos que nunca teria fim, tal o nível de descobertas cientificas e finançeiras envolvidas.

A guerra fria, o muro de Berlim. A eleição e a morte de Kenedy, a guerra no Vietnã.

A Ditadura vivida no Brasil .A Transamazônica que mudaria tudo, e não aconteceu.

A chegada do homem a lua, a bossa nova,a mini saia.

As multinacionais de carros chegando, e possibilitando uma classe operaria mais conscientizada,que a partir de um poder aquisitivo maior,adquiriam eletrodomésticos,entre eles a televisão, e conseguiam até comprar um carro o “fusca”.

A mudança nos meios de comunicação.Os grandes supermercados, shoppings,iniciando a economia do consumo,de bens descartáveis.

Nós fomos a geração do paz e amor,da calça jeans,dos cabelos soltos ao vento,de rostos lavados,dos soutiens sem bojo, desmistificando silhuetas ilusórias.

Da musica dos Beatles,de Caetano Veloso,de Elis Regina.Fomos o século da comunicação,iniciando com o dialogo tão apregoado entre pais e filhos.

Diálogo,comunicação e expressão em todas as formas de artes.

Educação sexual,da pílula anticoncepcional.

Mas de todas as situações vivenciadas por mim neste século nada foi tão arrebatador,revolucionário quanto a libertação das mulheres.Com as quedas de preconceitos em relação à suas possibilidades de estudo,trabalho,independência emocional; de pais,mães,irmãos,maridos se permitindo fazer as próprias escolhas.

Principalmente mudar de religião,pois a fé era como que um legado familiar.Não estando consubstanciada em certezas vividas, mas como herança de costumes e hábitos cristalizados.

Vivenciando tudo isso, quando cheguei ao Espiritismo, a primeira impressão que tive era que ali a mulher encontrava apoio nas mudanças que se faziam necessárias, e que os ensinamentos de Jesus preconizam a igualdade entre homens e mulheres,valorizando-as e respeitando-as como “espírito imortal “ em evolução,pois afinal de conta o espírito não tem sexo.

Nos dias de hoje pode parecer inconcebível essa situação, mas só quem viveu nos dias de preconceitos, pode entender a maravilha que foi para meu coração encontrar com a religião que conceituava o desejo de liberdade feminil com a aquiescência e Sabedoria Divina através do Evangelho de Jesus.
Acredito que esse mesmo sentimento tenha acontecido com o coração das mulheres Galiléias que passaram a seguir Jesus há dois mil anos atrás. Naquele tempo o preconceito já se fazia cruel, pois às mulheres não era permitido estudar os conteudos religiosos, não lhes era permitido ler a Torá .Os mestres e templos eram para os homens ,e mesmo nas sinagogas não ocupavam o mesmo espaço, pois deviam ficar ao largo sem poder ali entrar.
Ao caminhar nas ruas deviam seguir alguns passos atrás dos homens,e mesmo na família ocupavam lugar secundário aos irmãos.Os homens aprendiam  no seio familiar a colocar em segundo plano a imagem da mulher,muitas vezes hostiizando as irmãs. Se algo as levasse a enfrentar a justiça tinha de haver dois homens que falasse por ela, senão de antemão eram consideradas culpadas, pois sua palavra de nada adiantava.

As tradições rabínicas consideravam as mulheres como mentirosas por natureza. Conceito que advinha da reação de Sara ao ser dito que ela teria uma criança (Gênesis 18:9-15).

No modo de pensar deles, a negação e o riso de Sara caracterizavam-se como uma mentira diante de Deus que sempre diz a verdade. Assim, por causa dela, todas as mulheres descendentes eram consideradas mentirosas.

Podemos imaginar a revolução que foi quando o Rabi da Galileía além de trazer todo um ensinamento pautado no amor e não no “olho por olho dente por dente”, permitiu às mulheres o ensino de seu Evangelho.Tratando-as como igual, demonstrando –lhes novos conteúdos de fé, transformando não só os conceitos religiosos mais sociais,culturais.

Jesus oportunizava o trabalho aliando-o a fé, pois a caridade ou socorro as minorias era fator primordial do amor ao próximo.Ajuda aos pobres,enfermos,decaídos, tudo fazia parte dessa nova sociedade que se formava; pautada no amor.

Os discípulos eram doze, mas as mulheres que o seguiam em muito maior numero.

Muito das finanças gastas, vinha das mulheres *patrícias que possuindo fortuna, resolvem disponibilizá-las para assistência fraternal,ajudando Jesus em sua missão socorrista.

Quanto aprendizado, despertamento nessa relação nova do homem e da mulher, nivelando-se num trabalho conjunto, para o bem comum .

Na Boa Nova percebemos nas atitudes renovadas de Jesus ,as mudanças que se faziam necessárias.

Marta e Maria irmãs de Lazaro eram amigas sinceras e devotadas.Demosntrando haver possibilidades da amizade entre homens e mulheres num aprendizado conjunto.

Maria Madalena se redimiu através de seus ensinamentos.Demonstrando que tanto o homem quanto a mulher podem errar e reerguer- se, se de fato assim o desejarem

À mulher da Samaria Jesus revelou sua missão, demonstrando que ela era digna de confiança,e tinha condições de entendimento pela sua inteligência e sensibilidade.

Ao cuidar da mulher incapacitada por 18 anos, Jesus tocou-a ,quebrando o tabu de que o homem não podia tocar uma mulher em público, demonstrando o amor incondicional que cura e promove.

Em Betânia permitiu-se ser tocado ou ungido pela mulher de má reputação que lavando seus pés secou-os com seus cabelos.Demonstrando a humildade e aceitação.

Tratou dignamente a mulher adultera salvando-a de apedrejamento.Ensinando que ninguém peca sozinho ou está isento de erros mesmo o homem tão bem considerado naquela época.

E elas testemunharam sua fidelidade a ele, seguindo-o ao Golgata ( Calvário) permaneceram-lhe fiéis até o fim,acompanhando-o em sua missão dolorosa.

E Jesus dignificou-as com o maior evento da Cristandade: pois sua aparição após a morte se deu exatamente a uma mulher, dando-lhe a oportunidade de ser a testemunha de que a vida continua, sendo portadora em si mesma dessa realidade, na condição de mãe.

Quanto à aprender! Quanto à trabalhar e realizar em nossos corações,na aceitação de nós mesmos, e do outro para o crescimento espiritual.

Viajores da eternidade ! Sim somos todos nós !

Se aproveitarmos cada instante,a principiar do presente momento,no tempo que dispomos agora , para as transformações que se fazem necessárias de que; somos todos iguais pois somos irmãos em Deus nosso Pai ,criados à sua imagem e semelhança.

Que esse dia 8 de março seja marco importante em nossa memória milenar.





*Os patrícios,cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, a sua nobreza. Detinham vários privilégios governamentais, dentre eles, a isenção de tributos a exclusiva possibilidade de se tornarem soberanos de Roma e a também exclusiva de se serem senadores. Desempenhavam altas funções públicas, no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus. Os patrícios, descendentes das famílias mais antigas de Roma, ou seja, também dos chefes tribais da região do período pré-romano, foram, durante o reino de Roma, a república Romana e o Império, os donos das maiores e melhores terras, anfitriões das mais luxuosas festas e dominavam a cena política.