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sábado, 31 de março de 2012

A Perda - A Entrega - A Finitude


È tão difícil aceitar a morte!
De todas as perdas essa é uma das mais doridas, pois é irreversível.
Sentimo-nos impotentes diante dela.
È como se ela tomasse nossa vida abruptamente sem permissão, virando tudo do avesso.Principalmente quando ocorre através de um acidente,violência, doença fatal; junto a um jovem,o que parece anteceder o momento certo. Para os pais que ficam é uma dor enorme, insuportável. Pois há a crença de que sempre vamos desencarnar bem velhinhos, antes dos filhos.
Quando ela precede nossa partida levando nossos jovens a dor é imensa.
Cuidar com carinho dos enlutados, ultimamente, faz parte de grupos da área da saúde que dão apoio psicológico neste momento que por vezes é de uma verdadeira crise.
Já existem também nas casas espíritas grupos bem preparados para recebimento de pessoas que estão neste momento de dor, e que auxilia muito, pois alem da oportunidade do desabafo através da escutatória amorosa, o auxilio da assistência espiritual, o que mais tem ajudado é a “visão” do Espiritismo sobre a “Imortalidade da Alma”.
“Existe sempre vida em qualquer plano em que estejamos”.
Dizia uma mãe que perdera o filho que o que mais doía em seu coração era pensar que não mais seria a mãe desse filho, pois a morte tirava dela essa função.
E quão grata ela ficou ao saber que os laços de amor não se perdem jamais, que continuam alem da matéria, e que a colaboração emocional materna nesse momento, repercute em seu querido, permitindo que com seu aprendizado e  aceitação, ele aprenda com ela a superação.
É um aprendizado  em conjunto, educação espiritual simultânea de   amor, desapego, compreensão, aceitação das leis de Deus.
Aprendemos no “grupo de desabafo”, o quanto é importante o tempo.
Por isso devemos qualificá-lo afetiva, e amorosamente, junto aos nossos.
A perda faz –nos valorizar infinitamente os momentos que passamos juntos.
E no presente, nos permite fazer a escolha :
- Ou vivemos com rebeldia e revolta "nossa dor".  Ou escolhemos vivenciar a experiência da perda através do aprendizado de amor, o qual chamamos “qualidade de vida no sofrimento”, o que não deixa de ser o ensinamento de Jesus do “bem ou mal sofrer”.
Aprendemos também através do compartilhamento perceber que a dor não é única. Outros a estão vivenciando também, o que dá à aceitação veracidade, quando há troca de experiências, palavras de conforto entre si.
Falar é importante, pois ao passar do tempo os parentes as pessoas próximas  não querem mais nos ouvir.Mas precisamos de alguém que nos ouça para podermos desabafar.
Daí a importância do grupo de apóio que permite essa realização dentro de um contexto de respeito e generosidade.
Colocar para fora os sentimentos, ajuda imensamente a elaborar a dor, e a nova realidade de vida, enfrentando-a sem fugas ou preconceitos. 
Quando "abrimos " nosso coração ao desabafo no grupo, estamos elaborando o aprendizado de "entrega".Não somente da entrega (abertura) de nossa alma num momento doloroso, mas do ente querido em seu derradeiro momento.
O Luto passa por varias fases:

  • Fase de choque que tem duração de algumas horas ou semanas e pode vir acompanhada de manifestações de desespero ou de raiva.
  • Fase de desejo e busca da figura perdida, que pode durar também meses ou anos.
  • Fase da desorganização e desespero.
  • Fase de alguma organização
A morte faz parte da vida, procurar entendê-la é aceitar a própria finitude.
Quando isso acontece vamos tomando consciência das perdas diárias, superando os medos,  elaborando a “aceitação”, das situações e circunstâncias intransigentes da vida.
Para essa "aceitação" precisamos sentir em nosso interior novamente confiança; pois só assim não haverá  luta dos sentimentos conflituosos. Mas apenas abertura de alma para "resolução"entendimento , pois todas as resistências foram abandonadas. Quando estamos “satisfeitos” interiormente, ou seja, as questões no campo  emocional, mental, espiritual, foram respondidas nos sentiremos "completos novamente ".
E o homem se sente assim quando suas perguntas sobre as questões inexoráveis da vida são respondidas. Aquelas que o Espiritismo tão bem nos ensina a contextualizar !
De onde vim? Porque aqui estou?   Para onde vou ?



Centro Espirita Obreiros do Senhor
Grupo de Atendimento aos que perderam ente querido
DIÁLOGO FRATERNO 3ª feiras às 9:30 hs- e  3ª feiras às 19:30 hs
Rua General Craveiro Lopes,195  - R.Ramos - São Bernardo do Campo

segunda-feira, 5 de março de 2012

Kardec,Darwin,Criacionismo,Evolucionismo

Criacionismo ou Evolucionismo?
Essa é a discussão que Charles Darwin criou a partir do lançamento de seu livro “Origens das Espécies”, onde expunha a Teoria Evolução das espécies, que se contrapunha totalmente à teoria *Criacionista,vigente no século 19.
A teoria Criacionista dizia que os seres teriam sido criados exatamente como são,sem haver evolução,criados prontos para ingressar na vida da maneira como existiam.
Charles Darwin através de sua teoria descobriu que todos os seres vivos, do mais sábio dos homens, ao organismo unicelular, podem ter sua linhagem ancestral traçada até o começo da vida sobre a Terra.
A evolução das espécies era feita lentamente ao longo das eras formando linhagens que desembocam nos atuais seres vivos.
Isso com certeza abalou os alicerces científicos e religiosos.
Darwin era de família religiosa. Seu pai ansiava para que ele se torna-se um clérico, pois naquela época cléricos dispunham der uma renda que lhes permitia uma vida confortável, e muitos sendo naturalistas, poderiam explorar "as maravilhas da criação "uma vez que fazia parte do estudo 
Sua esposa se chamava Emma, e era também sua prima , muito religiosa , tinha certeza que iria pro céu,mas o cientista não, o que a angustiava pois sua teoria contradizia o Criacionismo Divino.
Durante 21 anos Charles Darwin que era religioso se debateu para publicar suas descobertas pois elas se chocavam com os dogmas religiosos.
Mas ele manteve-se firme em suas convicções com certeza do que fazia e do que devia ser feito.
O resultado dessa luta interior,sem explicações religiosas que lhe satisfizesse o raciocínio fez com que ele se declara-se agnóstico,ao longo do tempo
A teoria evolucionista de Darwim foi lançada em 1859, com o lançamento do livro Origens das Espécies.
Até então acreditava-se na versão religiosa de que a criação do homem como ele é,animais,vegetais,minerais,etc,foi realizada 4400 AC.
Quando começaram a desenterrar os osso dos dinossauros, Georges Curvier um dos pioneiros da paleontologia, acreditava que eram ossos dos animais que não embarcaram na arca de Noé, morrendo no dilúvio bíblico.
Interessante é que em 1848 é fundada a Revista Espírita. Em 1850 é lançado o livro dos Espíritos.E em 1869 a Gênese .
Que pena ! Charles Dawin não ter conhecido um parceiro no modo de pensar, que traduzia de maneira tão fantástica através da espiritualidade conteúdos do mesmo teor de sua teoria. A Gênese codificada por Allan Kardec dizia:
“Se se considerasse apenas dois pontos extremos da cadeia  (reino vegetal,animal)
nenhuma analogia aparente haverá, mas se se passar de um anel a outro sem solução de continuidade,chegaremos,sem transição brusca,da planta aos animais vertebrados. Compreende-se então a possibilidade de que os animais de organização complexa não sejam mais do que uma transformação,ou se quiserem um desenvolvimento gradual a principio insensível da espécie imediatamente inferior, e assim sucessivamente até ao primitivo ser elementar.De acordo com o que fica dito, percebe-se que não exista geração espontânea senão para os seres orgânicos elementares; as espécies superiores seriam produto das transformações sucessivas desses mesmos seres,realizadas à proporção que as condições atmosféricas se lhes foram tornando propícias.Adquirindo cada espécie a faculdade de reproduzir-se,os cruzamentos acarretaram inúmeras variedades.Depois uma vez instalada em condições favoráveis quem nos diz que os germens primitivos donde ela surgiu não desapareceram  para sempre por inúteis? Quem nos diz que o nosso *oução atual seja idêntico ao que de transformação em transformação produziu o elefante? Explicar-se-ia assim porque não há geração espontânea entre animais de complexa organização.Esta teoria,sem estar admitida ainda de maneira definitiva,é a que tende evidentemente a predominar hoje na Ciência. Os observadores sérios aceitam-na como a mais racional.”.
Isso demonstra o quanto o Espiritismo está preparado para acompanhar a evolução da Ciência.
Kardec dizia que o Espiritismo devería rejeitar 99  verdades a aceitar uma  só mentira.
O Espiritismo é assim a fé raciocinada, que fala da imortalidade da alma, da evolução do espírito imortal, que abrange  todos os níveis de vida neste planeta desde o átomo  primitivo até o arcanjo numa coordenação plena da criação divina através da Natureza.
 “A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem”
( Leon Denis)
Ah ! Darwin bem que poderia ter conhecido Kardec e a Doutrina dos Espiritos !

                         Charles Darwin                                                                Allan Kardec

































*Oução -O significado de oução no dicionário de Português é s. m. Pequeno ácaro que se encontra no queijo, na farinha etc..

Agnóstico- O termo agnóstico foi criado por Thomas Henry Huxley na metade do século XIX, para designar a incapacidade de conhecimento de tudo o que extrapola os sentidos.

Por extensão, doutrina segundo a qual é impossível todo o conhecimento que ultrapassa o campo de aplicação das ciências ou que vai além da experiência sensível.

Em termos simples - doutrina segundo qual todo o conhecimento metafísico é impossível.
E conforme já comentado, o agnóstico não pretende negar a existência de Deus, mas somente reconhece que não podemos afirmá-la ou negá-la; ademais não se limita ele à questão da existência de Deus.

Fonte(s):

Dicionário Básico de Filosofia de Hilton Japiassu e Danilo Marcondes .(página 14 verbete agnóstico
*Leon Denis – (Foug, 1 de janeiro de 1846 - Tours, 12 de Março de 1927) foi um filósofo espírita e um dos principais continuadores do espiritismo após a morte de Allan Kardec, ao lado de Gabriel Delanne e Camille Flammarion. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, defendendo ativamente a idéia da sobrevivência da alma e suas conseqüências no campo da ética nas relações humanas.
Léon Denis afirmou que "a verdade assemelha-se às gotas de chuva que tremem na extremidade de um ramo; enquanto ali estão suspensas, brilham como diamantes puros no esplendor do dia; quando tocam o chão, misturam-se com todas as impurezas. Tudo o que nos chega do Alto corrompe-se ao contato com a terra; até o íntimo do santuário o homem levou suas paixões; as suas concupiscências, as suas misérias morais. Assim em cada religião o erro, fruto da terra, mistura-se à verdade que é o bem dos céus".

*Criacionismo - O criacionismo é a crença religiosa de que a humanidade, a vida, a Terra e o universo são a criação de um agente sobrenatural. No entanto, o termo é mais comumente usado para se referir à rejeição, por motivação religiosa, de certos processos biológicos, particularmente a evolução.Desde o desenvolvimento da ciência evolutiva a partir do século XVIII, vários pontos de vista desenvolvidos tiveram como objetivo conciliar a ciência com a narrativa de criação do Gênesis. Nessa época, aqueles que mantinham que as espécies tinham sido criadas separadamente eram geralmente chamados de "defensores da criação", mas foram ocasionalmente chamados "criacionistas" em correspondências privadas entre Charles Darwin e seus amigos. À medida que a controvérsia da criação versus evolução se desenvolveu, o termo "anti-evolucionistas" tornou-se mais comum, então, em 1929, nos Estados Unidos, o "criacionismo" tornou-se o primeiro termo especificamente associado com a oposição fundamentalista cristã para a evolução humana e a crença em uma Terra jovem, embora seu uso tenha sido contestado por outros grupos que acreditavam em vários outros conceitos de criação. 

*Georges Cuvier, cujo verdadeiro nome era Jean Leopold Nicolas Fréderic Cuvier  (Montbéliard, 23 de Agosto de1769  Paris, 13 de Maio de 1832), foi um dos mais importantes naturalistas da primeira metade do século XIX, tendo desenvolvido métodos e programas de pesquisas para várias áreas da História Natural.


Procurando atingir a compreensão das leis naturais que regem o funcionamento dos seres vivos ele forrmulou as leis daAnatomia Comparada, que possibilitaram as reconstruções paleontológicas. A partir daí, os fósseis poderiam passar a pertencer a um sistema de classificação biológica, único, em conjunto com os organismos vivos. Através da Anatomia Comparada, Cuvier pôde comprovar que as ossadas fósseis de mamutes e mastodontes diferiam das ossadas doselefantes viventes, asiáticos e africanos, e que portanto pertenciam a espécies distintas. Desta forma estabeleceu, definitivamente, a ocorrência do fenômeno da extinção  visto que não haveria possibilidade de que aqueles enormesquadrúpedes fossem encontrados em alguma região remota do Globo, já bem explorado naquele momento.
Foi um dos mais influentes defensores do Catastrofismo, publicando a obra de divulgação principal desta teoriaDiscurso sobre as Revoluções na Superfície do Globo (1812-1825).Georges Cuvier é frequentemente relacionado à figura de opositor das ideias transformistas, como por exemplo as de Lamarck e de portanto ter barrado o surgimento do evolucionismo na França