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sábado, 3 de maio de 2014

“Faço tudo o que não quero, e o que quero, não faço”. (Paulo - Romanos 7:15.20) A disciplina


Certas palavras e expressões quando não bem interpretados por nós,às vezes têm seu sentido deturpado ou reduzido.

Isso ocorre com a palavra disciplina.

Quando a ouvimos já sentimos um desconforto:

-Você precisa ser mais disciplinado com suas palavras,com sua saúde,como pai,com as finanças...

Quando ouvimos essa palavra “disciplina” é como se ouvíssemos a palavra “contenção” , e  perdêssemos a vontade própria ficando submissos a um agente externo.

É como se nossa ação estivesse submetida a vontade de outrem.

Neste aspecto nada mais lógico nos rebelarmos, pois  como prescindir ou deixar nas mãos de outrem a própria vida.

Talvez por isso nossa rebeldia com os pais,os chefes,  autoridades de uma maneira geral, pois sentimo-nos prisioneiros de todas elas E não deixamos de ter uma crise com nosso ego pois submeter-nos JAMAIS !

Quero viver livre e com espontaneidade.

Embora sob o aspecto exterior a disciplina seja necessária,pois somos seres sociais e prescindimos uns dos outros para viver .

Na realidade, é sob o prisma interno que a disciplina revela seu mais rico potencial. Pois é uma virtude que viabiliza a aquisição de todas as outras.

Sem disciplina não há avanço,  transformação moral e intelectual.

A criatura indisciplinada permanece como sempre foi.

Nascemos simples e ignorantes,e estamos num processo de aprendizado, crescimento e evolução.Acertamos e muito erramos.

Como corrigir erros, sem determinação de uma vontade forte e disciplinada ?

A disciplina atua no campo da vontade.

A vontade é faculdade soberana da alma

O homem disciplinado diz a si mesmo que deve fazer e se mantém firme no propósito, para atingir esse objetivo.

Ela consiste numa força interior que permite a alteração dos hábitos e tendências.

Todos os espíritos atualmente vinculados a Terra passaram por incontáveis encarnações no longo processo de aprendizado, cometeram muitos equívocos e desenvolveram maus hábitos. Certas tendências do pretérito remoto ainda se fazem presentes nos homens, e precisam ser retrabalhadas por nós.

Nos primórdios da evolução, o Espírito era despido de cogitações intelectuais e morais mais complexas.

As preocupações do ser resumiam-se à preservação da vida e à perpetuação da espécie.

O tempo não gasto com a satisfação dessas necessidades era dedicado ao ócio Assim, o gosto excessivo pelo descanso lembra as fases primitivas da existência imortal.

O mesmo ocorre com a preocupação desmedida com alimentação e sexo Nada há de errado com a satisfação das necessidades elementares da vida, em um contexto de dignidade.

O vício reside no excesso e na fixação do pensamento em atividades que são meramente instrumentais.

A destinação do Espírito humano é excelsa.

Compete-lhe vencer a si mesmo, libertar-se de hábitos primários e preparar-se para experiências transcendentais do intelecto e do sentimento.

Ocorre que isso somente é possível com muita disciplina.

Sem uma vontade firme aplicada na correção do próprio comportamento, ninguém avança.
Maus hábitos, como maledicência, gula, preguiça e leviandade sexual, não somem por si sós.
Eles devem ser corajosamente enfrentados e subjugados.
O abandono de vícios é lento e doloroso.
No princípio, o esforço necessário é hercúleo.
Mas gradualmente se percebe o peso que representam as más tendências.
Surge uma sensação de liberdade e de leveza, com a adoção de um padrão digno de comportamento.
Então, o que era difícil se torna fácil e prazeroso, pois a disciplina gera a espontaneidade. Liberdade com disciplina é o nosso lema.Uma sem a outra,talvez se perderia.Do animal ao homem, e desse ao anjo,amor e liberdade é culto sagrado.no  entanto a lei divina apresenta para todos nós a força da disciplina,sem a qual a liberdade não poderá prevalecer dentre os direitos da alma.Vislumbremos Paulo de Tarso nos primórdios da sua iniciação.São dele essas apalavras. “faço tudo o que não quero,e o que quero não faço”. Eis as lutas do apostolo, disciplinando-se a si mesmo.Mudou como por encanto ,por força da educação intima,da política farisaica,para a religião cristã; da vingança para o perdão;de um doutor da lei ,para um simples discípulo de carpinteiro;de um viver em palácio,para a vida meditativa em um deserto;do crime para a santidade.Paulo tinha momentos de violência para consigo mesmo, para manter a disciplina nos sentimentos; vejamos o que ele diz a respeito: “Mas subjugo meu corpo, e o reduzo à escravidão para que tendo pregado o outros,não venha eu mesmo a ser desqualificado” Eis o drama intimo do apostolo dos gentios.Antes era a perseguição aos outros ; depois do drama no deserto.ele passou a ser perseguido por si mesmo e através da disciplina.A muitos parece que a disciplina metódica é uma prisão sem grades e sem fim,o que não é verdade.ela nos dá prazer,moldando-nos para as grandes realizações.Comece hoje mesmo. Comece hoje mesmo – se ainda não o fez – a corrigir pensamentos e a organizar os sentimentos dando-lhes nova dimensão, ampliando as qualidades nobres do coração, para que depois possa nascer a fonte de água viva em seu íntimo e, com ela, o prazer de ser útil, de ser bom , de ser caridoso, e de ter amor a Deus e a todas as coisas. Não resta dúvida de que o preço desse labor é bem alto, mas compensa todos os esforços, por estarmos em consonância com a  vontade de Deus e ensinos de nosso mestre Jesus.


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