Porque não faço o bem que desejo?

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É do do apóstolo Paulo. na Carta aos Romanos
(7, 15), a colocação: 
– Eu não entendo o que eu faço; não faço o bem que desejo, mas o mal que não quero e aborreço, isso é o que eu faço.
Paulo fala da complexidade humana ante o bem a ser realizado, já que a imperfeição é inerente ao ser humano. 
Fala da fragilidade de nossa  fé ante nossa vontade , e do sofrimento por inúmeras vezes vê-la fracassar. 
Expõe a dificuldade  dos sentimentos humanos ante a busca da virtude e  os vícios em que se apega.  
O comportamento humano trafega entre os opostos do bem e do mal, da  perfeição que esta ao seu alcance, e a imperfeição de que é possuidor.
Orgulho e humildade, prazer e dor, apego e desapego, realidade e fantasia,  se antepõe em nossa caminhada terrena.
Auto conhecimento, auto superação esta na raiz profunda de nossas necessidades.
Embora estejamos fadados a perfeição o caminho do aprendizado é longo, passando pela tentação constante das irrealidades materiais.
Kardec diz que: -  “ O espirito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se efetua simultaneamente em todos os sentidos.”  Desenvolve-se paulatinamente, por isso a evolução não dá saltos.
Precisamos crescer emocional, psíquica, espiritualmente,angariando virtudes superando viciações. 
Mas o que  são virtudes, o que são vícios ?
 Virtude é uma qualidade moral, atributo positivo de um indivíduo. É a disposição de praticar o bem; e não é  apenas uma característica, trata-se de uma verdadeira inclinação. Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o caminho do bem.
Vício é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. Seu oposto é a virtude. .
Antigamente acreditava-se que o mal estava na natureza física do homem,( a carne é fraca ) assim sendo não era possível empregar esforço para corrigir tais defeitos que eram da matéria. E o homem julgava-se dispensado dos esforços para corrigi-los . Dessa forma podia encolerizar-se, dar asas a sua luxuria, lançando  a culpa em seu organismo e  em Deus por tê-lo feito assim .
Os vícios são, sem dúvida alguma, a maior chaga moral da humanidade nos tempos atuais. Eles podem ser visíveis e invisíveis.
Uma forma de vencermos as tendências inferiores é substituirmos os prazeres materiais pelos espirituais.
Substituirmos os pensamentos negativos por positivos.
Na pergunta 917 de O Livro dos Espíritos, Fénelon nos orienta que a predominância da vida moral sobre a vida material é um poderoso instrumento para enfraquecermos o nosso egoísmo, causa de todos os vícios (p. 913).
Ocuparmos o nosso tempo com leituras edificantes, palestras esclarecedoras e tarefas evangélicas é instrumento valioso para bem empregarmos a nossa libido e direcionarmos nossos pensamentos, preenchendo com sabedoria os horários vagos.
No primeiro mandamento “Ama a Deus sobre todas as coisas”, Jesus nos orienta, com exatidão, sobre como nos libertarmos da escravidão material. Como tudo, no universo, está impregnado da Divina Presença, segundo nos esclarece o mestre de Lyon no capítulo II da gênese kardequiana (a Providência Divina) ao nos apegarmos a algo material, estamos substituindo o Todo pela parte e isso nos causa dor e dependência. Quando direcionamos nossas mentes para a Fonte, fazemos o processo contrário e, portanto, plenificamos o nosso vazio psicológico pela consciência de plenitude, a solidão pelo Amor Maior, a parte pelo todo, o sofrimento pela felicidade da percepção do contato íntimo com o Cristo, numa forma de prazer infinitamente maior e mais duradoura.
“Amar a Deus sobre todas as coisas” significa, portanto,substituirmos prazeres menores, materiais, grosseiros e efêmeros por um prazer incomensuravelmente maior, mais suave e eterno. Quando seguimos o primeiro mandamento, portanto, colocamos o que é espiritual acima do material e isso nos põe em contato com a nossa verdadeira essência, nos reposicionando nos trilhos da nossa missão na Terra e nos felicitando com a paz espiritual dos justos.
Vale salientar que existe um forte sinergismo entre o “Amar a Deus”, “Amar ao próximo” e “Amar a si”, pois esses mandamentos áureos se retroalimentam:
Não poderemos amar ao nosso próximo, sem amarmos a nós mesmos, se estamos nos desvalorizando e autodestruindo fisicamente através dos vícios.
Amar a Deus é amar a si da melhor forma possível, pois percebemos que o nosso "Si" não é o corpo físico, mas o espírito imortal que, por sua vez, já está mergulhado na Consciência Maior que o eterniza e ilumina.
Amar a Deus é amar a si, porque a qualidade de nossa vida melhora infinitamente quando submetemos a nossa pequena vontade pessoal à Vontade maior. Quando nos libertamos dos vícios, encontramos o Cristo que habita nossos corações e nos permitimos ouvir sua voz, que nos guia invariavelmente à felicidade própria e a das pessoas que amamos.
Quando nos auto destruímos estamos desrespeitando o amor ao próximo, porque prejudicamos justamente as pessoas que mais amamos. Nossa esposa, filhos, pais e amigos são os mais afetados, se os trocarmos pela viciação, que antecipará a nossa morte física. Essa é outra forma extremamente eficaz de evitarmos o primeiro gole, a primeira mordida compulsiva ou uma relação extraconjugal: colocarmos na tela mental a figura da nossa esposa e filhos e perceber o quanto lhe causaremos dor com nossa atitude!
Por isso no esforço de cada dia possamos dizer :
-  Faço o bem que desejo,e não o mal que não desejo. 

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