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terça-feira, 4 de maio de 2010

Muito os chamados e pouco os escolhidos

Benzedeiras, benzeduras orações!
Uma infância recheada por todas elas.
Brilho estranho no olhar, pequenas olheiras, como se estivesse num estado febril constante, que o medico nunca descobria o porque.
Lá ia eu puxada pela mão de minha mãe na casa de Dona Maria.
Senhora simples, lenço de pano amarrado na cabeça.
Terço com contas de rosário.
Copo de agua ,arruda ,alecrim, num pequeno maço de ervas nas mãos.
Quando ela me via começava a bocejar.
E eu pensava, isso deve ser minha culpa!
Vem cá menina!
Eu tímida sentava, e lá vinha a oração, com os respingos de água sobre minha cabeça.
O cheiro das ervas tão próximo ao meu nariz.
Eu ia me aquietando. Havia muitos quadros de Santo na sala. Mas eu nunca sabia se eu os observava,ou eram eles que  olhavam para mim.
A vela acesa a tudo e a todos alumiando.
Quando acabava, eu me sentia leve, livre e solta como passarinho.
Pode ir agora dizia Dona Maria, e eu saia pulando.
E ela dizia, espera um bocadinho, e lá vinha uma bala, um pedaço de bolo de fubá, que eu sentia sair do coração, pois tudo lá era tão pouco, tão pobre. Tudo que ela tinha estava ao alcance de nosso olhar.
Mas a alegria a boa vontade ao alcance de nossas mãos.
Às vezes me recusava a ir. Pois lá do alto de meus poucos anos e revelando uma certa rebeldia pensava : - Tudo eu...tudo eu...!
Essa menina não dorme, alguém tem de ficar lhe dando a mão durante a noite.Sonha com as almas dos mortos diz o que lhe disseram, o que pediram.
Vem cá menina conta para sua tia madrinha talvez ela entenda melhor.
O resultado era o mesmo. Essa menina precisa se benzer.
Eu fugia, me escondendo debaixo da cama.
Minha mãe me procurava não me achava e dizia: Vou levar uma peça de roupa dela, mas ela não me escapa.
Eu ouvindo tudo pensava, ela não me engana, e quando voltava não adiantava colocar a peça de roupa íntima (benzida) junto às outras, pois abrindo a gaveta eu olhava e sabia:
Ah! Foi essa que Dona Maria benzeu, e teimosa deixava-a de lado.
Sentimentos de não estar só, sensação de estarem me olhando, arrepios, sonhos, premonições, fatos estranhos que eu não entendia.
O choro noturno constante, saudades de uma família que não a minha.
Tudo isso  foram recheios da minha doce infância, tão longínqua e distante.
De lá pra cá quantas mudanças houveram.
O urbanismo fremente dessa cidade de São Paulo onde tudo muda tão rapidamente.Fazendo as pessoas irem e virem de um momento para outro. As distâncias encurtadas pelo automóvel e os meios de comunicação, nos propiciando fazer tudo em menor tempo, mas também nos revelando um antagonismo presente no tempo aparentemente ganho, mas agora restrito por ter tanto por fazer.
Na impossibilidade de se movimentar pelo acumulo de veículos no transito. O espaço restrito dos shoppings, prédios e condomínios, onde a distancia ficou vertical, e o espaço limitado, pelo poder aquisitivo.
Onde parece se disfarçar a indiferença com a desculpa da privacidade, morando numa ilha.
Mas ainda há mãos que se estendem buscando as nossas.
E foi assim que eu cheguei a Casa Espírita. Estava com problemas, não dormia.Sentia um certo desfalecimento.
Braços e pernas bambeavam, as idéias ficavam confusas, fatos e palavras me vinham a mente me fazendo chorar mesmo a minha revelia.
Tratava com o Clinico Geral que me indicou um Neurologista, diagnosticando após uma série de exames, disritmia cerebral, foco irritativo no lado esquerdo do cérebro, precisando tomar remédios específicos.
Palestras, orações, fluidoterapia!
Foram seis meses de assistência para reequilíbrio físico e espiritual.
E aliando-se ao tratamento médico o espiritual, tudo foi melhorando.
Eu já me sentia livre, leve, solta como passarinho novamente.
Fui convidada para as *Escolas Mediúnicas, mas ao mesmo tempo comecei um trabalho voluntário num asilo.
Pensariam alguns: - Tudo passou !
È eu também pensei que sim, mas durante as palestras enquanto aguardava a *assistência espiritual podia ver e sentir toda aquelas pessoas me “olhando”.
De fato “eles” lá estavam, muitos pareciam com Dona Maria.
Eram os espíritos! Formavam a *Falange dos Humildes me disseram posteriormente, constituída pelos caboclos e pretos velhos, *espíritos amigos e *luminares acudindo encarnados e desencarnados.
Levando o alento do socorro espiritual, através da mãe *Natureza na *Fluidoterapia.
Isso me dava um arrepio! Podia entender agora os tais fatos estranhos que antevia acontecer.
Pensamentos e sentimentos perpassavam minha mente e coração, e eu sentia serem captados por mim .Só que agora eram amorosos, de fortalecimento e equilíbrio.
Às vezes pareciam dizer: - Você não está mais só não!
E eu acolhida e acarinhada pensava: Era essa a família que eu tanto procurara.
Menina vem cá não se esconde não!
Era a vida me chamando!
E eu sai debaixo da cama abrindo a gaveta, escolhendo colocar a roupa “benzida”, reconstituída, tecida na intimidade do coração, pelo esforço do trabalho amoroso no campo do bem.
Fazendo uma *túnica nupcial como nos diz Jesus através da *Boa Nova.
Mediunidade!
Oportunidade bendita para recompor descaminhos do espírito imortal.
Planejamento de trabalho árduo no campo do amor e do bem, num subsídio de crescimento espiritual.
Desenvolvimento da capacitação de amar.



*Escolas Mediúnicas = Aprendizado prático e teórico da Doutrina Espírita.
*Assistência Espiritual = Fluidoterapia
*Fluidoterapia = doação dos fluidos dos médiuns +fluidos da natureza elaborados pela espiritualidade e doados no passe
*Espiritos amigos= simpatizantes com a causa do bem comum
*Espíritos luminares=espíritos de escol, de luz
*Falanges = Espíritos unidos pelos mesmos objetivos e sintonia vibratória realizando um trabalho conjunto.
*Mãe Natureza = Fluidos retirados das plantas, mar, terra,etc.
*Túnica Espiritual – cap. XVIII- ESE – Parábola da Festa de Núpcias.
* Boa nova = Evangelho de Jesus
* Muitos os chamados e poucos os escolhidos - Mateus cap. 22 de 1 a 4