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domingo, 26 de setembro de 2010

Entrevistando Kardec - Perguntas de Hoje - Respostas de Ontem

Quando estudo, me pego muitas vezes confabulando  mentalmente com o  Sr Kardec acerca do Espiritismo e dos fatos que o precederam Por isso neste post utilizando um texto contido em Obras Postumas resolvi dar asas a imaginação entrevistando-o.
Para tanto  me coloco no momento histórico dizendo-lhe:

Uma série progressiva de fenômenos deram origem á Doutrina Espírita.

O primeiro fato observado foi a movimentação de objetos diversos. Designaram-no vulgarmente pelo nome de mesas girantes ou dança das mesas.

Tal fenômeno parece ter sido notado primeiramente na América do Norte de forma intensa, e propagou-se pelos países da Europa, como França, Inglaterra, Holanda, Alemanha e até a Turquia.

Nos meados do século XIX, tendo como marco especialmente o ano de 1848, como os fenômenos de Hydesville, envolvendo a família Fox.

Pgta-Sr Kardec, quando o Sr. tomou conhecimento desses eventos?

Resp.- Foi em 1854 que ouvi falar pela primeira vez em mesas girantes.

Encontrando –me um dia com o Sr.Fortier,magnetizador que eu conhecia,havia a muito,disse-me ele :

- Sabeis que se acaba de descobrir no magnetismo uma singular propriedade? Parece que não são somente as pessoas que se magnetizam, mas também as mesas, que giram e andam à nossa vontade.

Pgta-E o que o Sr respondeu?

Resp. È com efeito singular, respondi-lhe mas isso não me parece rigorosamente impossível.O fluido magnético.espécie de eletricidade,pode muito bem atuar sobre corpos inertes e fazê-los mover.

Pgta.Quando O Sr disse ser possivel a movimentação dos corpos inertes através da Lei da eletricidade estava testando o conhecimento do Sr Fortier,ou em duvidas com a realidade dos fatos.

Resp.- As noticias dadas pelos jornais de experiências feitas em Nantes e Marselha e outras cidades,não permitiam duvidar da realidade do fenômeno.Tempos depois,tornei a encontrar-me com Fortier que me disse:

Mais extraordinário do que fazer uma mesa girar e andar é faze-la falar: perguntam e ela responde.

Isso é outra questão respondi-lhe.Só acreditarei se vir ou se me provarem que a mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que pode tornar-se sonâmbula.Até então, permita-me que considere isso uma história fabulosa.

Pegta.-O Sr já comprovara pelos jornais a veracidade das noticias que o do sr Fortier lhe trouxera,o que exatamente lhe intrigava ainda nos casos por ele relatados

Resp.Eu compreendia a possibilidade do movimento por uma força mecânica, mas ignorando a causa e a Lei do fenômeno, parecia-me absurdo atribuir inteligência a uma coisa material.Coloquei-me na posição dos incrédulos dos nossos dias, que negam, porque não podem compreender os fatos.

Há 50 anos se tivessem dito, pura e simplesmente a alguém que era possível a transmissão de um despacho a 500 léguas, e a recepção da resposta,dentro de uma hora,obter-se-ia uma gargalhada em troco,aliás bem firmada razões científicas,que provaram a impossibilidade material do fato.

Hoje que a lei da eletricidade é conhecida, ninguém o contesta,nem mesmo um campônio.

Achava-me,pois diante de fato contrario as Leis conhecidas da Natureza e repugnante à minha razão.Ainda não tinha visto,nem observado nenhum caso.As experiências feitas na presença de pessoas acima de toda a suspeição e dignas de maior fé, não me permitiam duvidar do efeito puramente material :mas a idéia de uma mesa falante não podia entrar em meu cérebro.

Pgta.-E esse assunto ficou encerrado para o Sr.?

Resp.No ano seguinte em princípios de 1855,encontrei o Sr Carlotti, amigo de vinte cinco anos,que, com o entusiasmo,que despertam as idéias novas, falou-me dos fenômenos que me preocupavam.O Sr Carlotti era corso de natureza ardente e enérgica, e eu sempre estimei nele essas qualidades,que distinguem uma grande e bela alma, mas desconfiava da sua exaltação.Foi ele quem primeiro me falou da comunicação dos Espíritos,contando-me tantas coisas surpreendentes que,longe de me convencerem,aumentaram as minhas dúvidas.

- Um dia será dos nossos ,disse-me,e eu respondi-lhe :

- Não digo que não:veremos mais tarde.

Pgta.O Sr é conhecido pelo uso do bom senso e extremada perquirição em suas pesquisas buscando sempre remontar  dos efeitos as causas. A exaltação muitas vezes revela ansiedade isso prejudica muitas vezes uma pesquisa isso o incomodou neste encontro com o Sr Carlotti

Resp.-Em maio de 1855 fui a casa da Sra Roger,sonânbula,em companhia de Fortier,seu magnetizador.Ali encontrei o Sr Pâtier e a Sra Plainemaison que me falaram no mesmo sentido que Carlotti ,mas em outro tom.

Pgta.O Sr teve a partir daí uma melhor impressão das pessoas que estudavam esses fenômenos?

Resp.O senhor Pattier, funcionário público, de meia idade, muito instruído, de caráter sério, frio e calmo; A sua linguagem comovida isenta de entusiasmo produziu-me viva impressão e quando me convidou para assistir às experiências que se realizavam em casa da sra Plainemaison,na Rua Grange Bateliére,18, aceitei o convite com sumo prazer.Emprazamo-nos para terça feira às 8 horas da noite.Ali pela primeira vez fui testemunha do fenômeno das mesas que giram,saltam e correm e o fui em condições de não poder alimentar dúvida.Vi também alguns ensaios muito imperfeitos,de escrita mediúnica em uma ardósia com o auxilio de uma cesta.

“_ Numa Terça feira de maio de 1855 o senhor Leon Hippolyte Denizard Rivail- cujo pseudônimo é Allan Kardec, assistiu pela primeira vez os fenômenos das mesas que giravam, saltavam, em condições tais que não deixavam dúvida qualquer.”

Pgta.Conte para todos nós Sr Kardec, quais suas impressões ante tais fenômenos?

Resp.-Longe estava eu de afirmar minhas idéias mas, ali se deparava um fato, que devia ter uma causa.Entrevi, oculto naquelas futilidades aparentes, e entre aqueles fenômenos,de que se fazia um passatempo,algo de muito sério,talvez a revelação de uma nova lei,que fiz o propósito de descobrir.Bem cedo tive ocasião de observar mais atentamente do que até então o havia feito

Pgta.E como o sr conheceu a família Baudin?

Resp.-Em uma das sessões da Sra Plainemaison,travei relações com a família Baudin,que morava na Rua Rochecourt.O Sr Baudin convidou-me para suas sessões *hebdomadárias,nas quais fui assíduo.As reuniões eram muito numerosas admitindo-se quem quer que pedisse, além de pessoas habituais.Os dois méduins eram as Srtas Baudin,que escreviam numa pedra com o auxilio da cesta,chamada *tupia ,descrita em O Livro dos Médiuns.Esse método exige o concurso de duas pessoas, excluindo toda possibilidade participação das idéias do médium.Por ele vi comunicações seguidas e respostas dadas, não só a pergunta que eram propostas,como até a mentais,fato que denunciava,em toda evidência,a intervenção de inteligência estranha.Foi ali que fiz os meus primeiros estudos sérios sobre Espiritismo, não tanto ,elas revelações,como pelas observações.Apliquei a esta ciência o método experimental,não aceitando teorias preconcebidas,e observava atentamente, comparava e deduzia as conseqüências ,dos efeitos procurava elevar-me as causas,pela dedução e encadeamento dos fatos ,não admitindo por valiosa uma explicação ,senão quando ela podia resolver todas dificuldades da questão.Foi assim que procedi em meus trabalhos anteriores desde os 15 anos. Compreendi logo, a gravidade da tarefa que ia empreender; e entrevi , naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da humanidade, a solução que vivi sempre a procurar; era enfim uma revolução completa nas idéias e crenças do mundo Cumpria-me pois proceder , com circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não se deixar levar por ilusões.

Pgta.Qual foi o primeiro resultado de suas observações?

Resp.-Foi saber que sendo os espíritos a alma dos homens não possuíam a soberana ciência, e que seu saber era limitado ao grau de adiantamento, assim como sua opinião só tinha o valor de opinião pessoal.

Pgta.Qual a utilidade desse fato em suas pesquisas?

Resp.-Essa verdade reconhecida desde o principio preservou-me do perigo de acreditar na infalibilidade deles e livrou-me de formular teorias prematuras sobre os ditados de um ou alguns.

Pgta Mas o que isso provava?

Resp.-O fato apenas da comunicação com os Espíritos,independentes do que eles pudessem dizer,provava a existência do mundo invisível: ponto capital,campo imenso aberto às nossas explorações,chave de uma multidão de fenômenos inexplicados. O segundo ponto,não menos importante,era conhecer o estado desse mundo e de seus costumes,se assim me posso exprimir.

Pgta.O que mais o Sr apreendeu a partir desse fato?

Resp.-Vi logo que cada espírito,segundo sua posição e conhecimento me patenteava uma fase daquele mundo, do mesmo modo como se chega a conhecer o estado de um pais ,interrogando habitantes de todas as classes e condições,podendo cada um ensinar-nos alguma coisa e nenhum ,individualmente ensinar tudo.

Pgta.Como o Sr observando formulou e dispôs, todas essas informações?

Resp.-Incumbe ao observador formar o conjunto, coordenando,colecionando e conferindo, uns com os outros documentos que tenha

Procedi com os espíritos como teria feito com os homens: considerei-os,desde o menor até o maior,como elementos de instrução e não como reveladores predestinados. Tais foram as disposições com que empreendi e com que sempre segui os estudos espíritas: observar,comparar e julgar, essa foi a regra invariável que me impus.

Pgta.E quando o Sr resolveu tornar publico seu trabalho?

Resp.Na casa da sra Baudin procurei resolver problemas que me interessavam ,sobre filosofia ,psicologia e natureza do mundo invisível.Em cada sessão apresentava uma série de perguntas preparadas metodicamente arranjadas,e tinha sempre respostas precisas e lógicas.A principio não tive em vista senão minha própria instrução, mais tarde,porém vi que formava um núcleo em torno do qual os trabalhos tomavam proporções de uma doutrina,pensei em torná-las públicas para instrução de todos.
Foram aquelas questões,desenvolvidas e completadas,que constituiram a base do O Livro dos Espíritos.

Pgta.Se o material de informações que o Sr possuía já constituiam um livro porque o Sr continuou a participar das reuniões espíritas.

Resp-Eu havia conhecido o Sr Roustan e a Srta Japhet, *sonâmbula.As reuniões eram sérias e ordeiras.Embora o material que eu possuía já desse um livro eu quis revê-lo com outros espíritos mediante outros médiuns, mas os espíritos preferiam revê-lo na intimidade, utilizando a Srta Japhet. Não me contentei com essa verificação que os próprios espíritos me recomendaram.e sempre que oferecia ocasião aproveitava para propor algumas questões espinhosas a outros médiuns,utilizando para isso mais de dez médiuns,e foi da comparação e fusão de todas a essas respostas coordenadas e classificadas e muitas vezes remoídas no silêncio da meditação que formei a primeira edição de O Livro dos Espíritos aparecida em 18 de abril de 1857.

A nossa gratidão ao sr. Allan Kardec,pelo bom senso,determinação,espírito cientifico,com que tratou de questões tão inovadoras, alçando esse estudo dentro do contexto cientifico,filosófico e religioso com o qual embasamos a fé raciocinada dentro do Espiritismo



*Esse texto está na integra na a Segunda Parte do livro OBRAS POSTUMAS.

É um manuscrito feito por Allan Karde e chama-se “ A minha iniciação no Espiritismo”

*Tupia – vernaculizaçãodo francês toupie – significa pião.

Talvez Kardec tenha dado o nome tupia à cesta por analogia com a movimento de rotação dos piões – movimento esse que a cesta naturalmente fazia - e faz debaixo da ação dos espíritos

*hebdomadárias- semanais

*sonâmbula - O Sonambulismo já era conhecido dos magnetizadores que o descobriram quando magnetizando pessoas com uma certa sensibilidade perceberam ocorrer  um fenomeno estranho; elas traziam  informações que desconheciam  no estado de vigilia,sobre fatos pessoas,situações.Essas informações podiam proceder  do proprio espirito de quem estava magnetizado,que fora do veículo fisico tinha um estado de consciência mais abrangente, assim como trazer informações de  outros espiritos que alí estavam na reunião; neste caso serviam  de intermediários entre o plano físico e o plano espiritual.
Há  o sonâmbulismo provocado e natural.O sonambulismo provocado é realizado pelo magnetizador no estado de vigilia quando a pessoa possui  tal sensibilidade.
Há farto material para pesquisa e estudo sobre esse assunto.

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